terça-feira, 20 de abril de 2010

Minha última viagem. Parque Estadual de Vila Velha, PR

Pois é.

Eu ando mesmo sem muita inspiração para escrever, mas acho que os posts mais legais são aqueles onde falo das minhas viagens. Esse ano eu ainda não saí para as coletas do meu experimento, mas já fui a Santa Catarina para visitar a minha irmã. Há muito tempo eu queria passar novamente no Parque Estadual de Vila Velha, localizado no município de Ponta Grossa, Paraná. O lugar é lindo e graças a Deus pouco visitado. Dessa forma não acontece como em outros lugares badalados, onde a falta de educação da população acaba por depredar o patrimônio natural.

O Parque

O Parque Estadual de Vila Velha situa-se no município de Ponta Grossa, estado do Paraná. O parque está à 20 quilômetros a sudeste do centro da cidade e à cem quilômetros de Curitiba, capital do Estado. Esta Unidade de Conservação é composta por três principais elementos: Arenitos, que são formações rochosas que apresentam formas variadas, como: a taça, o camelo, entre outras (Figura 1); Furnas, que se caracterizam por grandes crateras com vegetação exuberante e água no seu interior (lençol subterrâneo) e Lagoa Dourada que possui este nome porque ao pôr do sol suas águas ficam douradas (Figura 2).

Durante os anos de 2002 e 2004 o local esteve em processo de revitalização, teve algumas de suas áreas recuperadas. Todos os passeios são feitos por trilhas e acompanhados de guias do próprio parque.

Tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado em 1966, o governo estadual criou o parque pelo motivo de proteger 18 km² de formações rochosas. O parque foi classificado como um dos sítios geológicos brasileiros, pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos, graças às esculturas naturais impressionantes causadas pela erosão nos arenitos do Grupo Itararé. Além disso, abriga uma fauna variada: lobos-guará (já raros), jaguatiricas, quatis, gatos-do-mato, cachorros-do-mato, iraras, furão, catetos, veados, tatus, pica-paus, pombas, perdizes, tamanduás-bandeira e mirins, diversos tipos de aves, entre outros.

A formação arenítica é o resultado do depósito de um grande volume de areia, que aconteceu há aproximadamente 340 milhões de anos, no período carbonífero. Na época, a região estava coberta por um lençol de gelo. Com o degelo, o material foi abandonado no local. Após o retorno da erosão normal e a partir do engrossamento das águas dos riachos da frente glassiária, esses depósitos foram retrabalhados, originando os arenitos de Vila Velha. As exóticas formações em arenito da Vila Velha foram basicamente formadas pela ação da chuva que atuando em zonas de fraquezas presente nas rochas, acaba erodindo de forma diferencial e até mesmo isolando alguns blocos. A coloração das rochas é avermelhada semelhante a tijolos. As alturas médias das colunas de pedra e muralhas chega a vinte metros. Em alguns pontos, estas podem chegar a trinta metros ou mais em função do terreno acidentado. Os arenitos de Vila Velha com sua coloração avermelhada, dependendo da hora do dia da luz do Sol e da época do ano, ficam com uma aparência e coloração semelhante à mostrada em fotografias pelas naves norte-americanas que pousaram em Marte. E tem rochas que sofrem alterações.

A lenda de Vila Velha.

ltacueretaba, antigo nome de Vila Velha, significa "cidade extinta de pedras". O recanto foi escolhido pelos primitivos habitantes para ser Abaretama, "terra dos homens". No local seria escondido o precioso tesouro Itainhareru. Com a proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado pelos Apiabas, varões escolhidos entre os melhores homens de todas as tribos.

Os Apiabas desfrutavam de todas as regalias, porém era proibido o contato com as mulheres. A tradição dizia que elas, sabendo do segredo de Abaretama, revelariam aos quatro ventos. A notícia chegaria aos ouvidos do inimigo, que tomaria o tesouro para si. Se o tesouro fosse perdido, Tupã deixaria de resguardar o seu povo e lançaria sobre ele as maiores desgraças. Dhui (Luís) fora escolhido chefe supremo dos Apiabas, entretanto, não desejava seguir esse destino, pois se tratava de um chunharapixara (mulherengo).

As tribos rivais, após tomarem conhecimento do fato, escolheram a bela Aracê Poranga (aurora da manhã) para tentar seduzir o jovem guerreiro e tomar-lhe o segredo do tesouro. A escolhida logo conquistou o coração de Dhui. Em uma tarde primaveril, Aracê veio ao encontro de Dhui trazendo uma taça de Uirucur (licor do butiás) para embebedá-lo. No entanto, o amor já havia tomado conta de seu coração e a traição não aconteceu. Decidiu, então, tomar a bebida junto com seu amado. Em seguida, os dois se amaram à sombra de um ipê. Tupã logo descobriu a traição do seu guerreiro e, furioso, provocou um terremoto sobre toda a região.

A antiga planície foi transformada em um conjunto de suaves colinas. Abaretama transformou-se em pedra. O solo rasgou-se em alguns pontos, originando as Furnas. O precioso tesouro fora derretido, formando a Lagoa Dourada. Os dois amantes ficaram petrificados e, entre os dois, a taça ficou como o símbolo da traição. Diz a lenda que as pessoas mais sensíveis à natureza e ao amor, quando passam pelo local, ouvem a última frase de Aracê: xê pocê o quê (dormirei contigo).


Figura 1: A - Camelo; B – A garrafa; C – A índia; D – A bota; E – A taça; F – Pinheiro do Paraná (Araucaria angustifolia)


Furnas

Além dos arenitos, ainda dentro do parque são encontradas as furnas que são na realidade poços de desabamento, depressões semelhantes a crateras, de formato circular e paredes verticais.

As furnas ocorrem na região dos Campos Gerais do Paraná, sendo conhecidas 14 delas. No Parque Estadual de Vila Velha aparecem seis delas, estando duas em estágio terminal. A lagoa Dourada e a Lagoa Tarumã. São consideradas assim pelo fato de estarem quase totalmente preenchidas de sedimentos.

Com excessão da furna 3, de fundo seco, todas as demais estão interconectadas pelo atual nível de água subterrânea, em torno da cota 788 m, revelando que existe ampla circulação subterrânea de água entre as furnas e a Lagoa Dourada, através de fraturas e descontinuidades existentes no arenito.

As furnas se formam pela ação da circulação das águas superficiais que, acidificadas pela presença de matéria orgânica, vão lentamente destruindo a ligação entre os grãos que mantém a rocha coesa, propiciando a remoção mecânica dos constituintes do arenito. Este processo é mais acelerado nas partes mais fraturadas do arenito, principalmente nas intersecções de falhas e fraturas, pontos em que a rocha vai sendo lentamente desagregada, possibilitando que seus constituintes sejam transportados pela drenagem subterrânea, formando os poços de desabamento.

Figura 2: A – lagoa Dourada; B – Furna 1; C – Furna 2; D – Elevador desativado da furna 1; E – Borboleta 88 (Diaethria clymena)

Conclusão

Eu espero que quem tenha chegado até aqui no texto tenha gostado. Ele foi baseado em informações tiradas da internet e do informativo dado aos turistas que chegam ao parque. Porém, as impressões são todas minhas e são as melhores possíveis. Portanto, que estiver passando pelo Paraná e tiver a oportunidade de fazer essa visita, faça. Não se usa mais do que uma manhã, os guias são super educados e informados e pra quem tem compulsão por compras, ainda existe uma lojinha onde são vendidas diversas lembranças da região. Veja as fotos. Vale a pena o passeio.

Abraços!!

Referencias:

http://www.pontagrossa.pr.gov.br/vvelha

http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Estadual_de_Vila_Velha

Informativo do Parque Estadual de Vila Velha.




2 comentários:

  1. Ola....que bommm que gosotou das bellas paisagens de vila velhhaa....volte sempre qaundo tiver oportunidades

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  2. Adorei esta sua postagem , Ricardo!!
    Mês que vem vou para Curitiba e passar , claro , em Vila Vlha. Foi inspirador. Vou seguir seu blog. Abraço e bom final de semana.

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