segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sobre Natal, o Amapá e Ornitorrincos...

Olá como vão todos?
Seriam duas postagens distintas, mas devido ao tempo passado e a consequente falta de memória, eu resolvi escrever uma coisa só. Já relatei os problemas nos aeroportos na volta de Natal então eu nem vou voltar nesse assunto. Foram duas viagens muito bacanas que fiz entre os meses de junho e julho de 2011.

NATAL

Eu não conhecia Natal e aproveitei realização de um congresso para visitar a capital do Rio Grande do Norte. Pelo menos aonde eu fui, a cidade se revelou um lugar maravilhoso, cheio de opções, ruas largas e com bastante opções. Até o centro, apesar de meio bagunçado, é muito interessante.
Fiz quase tudo que gostaria. Comi camarão até ficar com nojo, fiz passeio de buggy nas dunas (ok.. no começo eu não estava muito a vontade), fui à Pipa nadar com os golfinhos (quase isso), fui ao forró do turista (aliás, um programão) e também fiz o passeio do cajueiro, mas o glorioso Tom não estava lá. Na verdade não tinha guia de visitação, mas temos que concordar que passear embaixo de uma árvore não é algo assim... tão complexo. Foi bacana também passar em frente a base militar de Barreira do Inferno. Fiquei meio com o pé atrás de ir à praia porque não gosto de entrar no mar, mas acabei cedendo. No final desse dia atravessamos a praia de Ponta Negra e fomos andando até o morro do Careca. Vale a pena ir pra lá porque no outro extremo as coisas são mais baratas, ou seja, dá para eliminar umas calorias e e fazer economia também.
Como nada é perfeito, acabei indo a alguns outros lugares não tão legais, como o tal do Rastapé. O lugar mais cheio que eu já tive a oportunidade de conhecer. E como tinha gente feia!!! Valeu a experiencia. Aproveito aqui a oportunidade para agradecer a todos os meus amigos que mandaram dicas para aproveitar melhor a cidade. Todas foram muito úteis.
As únicas coisa que eu não fiz foram passear de dromedário (estava muito caro) e assistir o time do ABC jogar no Frasqueirão. O povo até estava empolgado com o time no começo do campeonato da série B, mas já não está essa coisa toda não.
Como em todo lugar novo, eu fiquei com um certo receio de algumas coisas, pelo fato de ser turista, mas logo passou. Em hora nenhuma os taxistas nos enganaram e ninguém em loja fez prática de preços abusivos. E o povo é muito gentil. Eu tive essa impressão... No geral, nem comida é caro.
Teve uma coisa que eu achei chata... O tal do repentista! O primeiro é novidade... é engraçado. O resto parece imitação do primeiro e os caras grudam no ouvido. É quase insuportável. Outra coisa bastante chata (sem graça, na verdade) é a piadinha infame sobre as quatro estações do ano em Natal. Algo como verão, calor, mormaço e inferno (ou coisa parecida). Em todos os lugares somos obrigados a ouvir isso. Nem o meu amigo Gustavo é capaz de inventar algo tão sem graça.
O congresso (WAS e FENACAM 2011) era enorme e com muita gente. Tinha gente do país inteiro e muitas pessoas do exterior. Não sei que milagre não tinha ninguém de Araguari por lá. Deu pra fazer contatos importantes, e para comer muito também. Hehehehehehehehe!!! O festival do camarão estava espetacular.
Natal é uma cidade que eu voltaria tranquilamente. Assim... depois de conhecer outros lugares, mas é um lugar que deixou em mim ótimas impressões, assim como o Amapá. Embora ninguém acredite, foi um dos lugares que eu mais gostei de conhecer e seguramente onde fui melhor tratado. Falarei dessa viagem a seguir...


Em sentido horário a partir do alto: Fortaleza dos Reis Magos, cajueiro, falésias em Pipa e passeio de dromedário.


AMAPÁ

Fui ao Amapá no mês de julho e confesso que o lugar me surpreendeu. Claro que eu não imaginava que as pessoas viviam na selva, que veria índios para todos os lados e outras coisas, mas... sei lá!!! Me pareceu um lugar bastante isolado (na verdade é mesmo).
Metade da população mora na capital e o resto fica espalhado pelos outros 15 municípios, se não me engano.
Macapá não é uma cidade enorme, mas é um pouco desorganizada. As pessoas não gostam muito de parar nos sinais de trânsito e em muitos lugares o esgoto corre a céu aberto, não recebe tratamento e acaba sendo lançado "in natura" no rio Amazonas.
Mas o que mais me impressionou foi o tratamento que recebi lá. Jamais conheci um povo tão educado e prestativo como os do Amapá, principalmente os do interior do estado. Me receberam como se eu fosse um velho conhecido e me deram tratamento de rei. Gente muito simples, mas que sabe receber como poucos as pessoas que vem de fora.
Parece que as coisas lá tem outra dimensão. O tempo parece mais lento, as distâncias são maiores, os rios são imensos, assim como os peixes que os habitam.... Não dá para explicar.
Uma outra coisa também que surpreende é o céu a noite, principalmente no meio do rio, onde não há qualquer contato com a civilização. É difícil achar um pedaço do céu onde não tenha uma estrela. Como eu escrevi no meu diário de viagens, o céu do meio do mundo é espetacular.
Algumas coisas para as quais não damos muita importância por aqui fazem muita falta por lá (no interior do estado). Um simples banho é algo complicado, uma vez que não existe rede de água e esgoto. Por analogia então dá para concluir que usar o banheiro também não é tão simples. Existem casas que simplesmente não tem o "ali." O banho é no rio e o banheiro é no mato ou na casinha, ao gosto do freguês.
Carro também é algo quase inútil. As estradas são péssimas e não chegam a todos os lugares. Tanto que demoramos mais de quatro horas para percorrer um trecho de 150 km. O ideial então é andar de barco, cavalo, bicicleta ou a pé.
A gastronomia é algo exótico. Experimentei tudo que foi possível. O que eu mais gostei foi o pirarucu na brasa, mas também comi arraia, tamatá, aricanga, e os conhecidos traíra e tucunaré. Todos pescados lá na região mesmo. Também me ofereceram pato selvagem e um coquinho chamado najá (meio forte, mas gostoso). A única coisa que eu não animei a comer foi um calango que o pessoal matou na beira do rio, mas quem comeu disse que não estava bom não. Nada foi comprado na cidade, congelado ou algo parecido. Foram dias de caçador e coletor. E para completar, a comida era preparada na brasa. Me senti um homem das cavernas.
Também aproveitei a oportunidade para experimentar também o tacacá e o açaí de lá e devo confessar que.... os dois são ruins. O tacacá é uma mistura quente, azeda e salgada e que ainda deixa a língua dormente. O açaí é salgado e é comido misturado com farinha (????). O aspecto fica como de uma argamassa roxa, parecido com aquilo que usam para fazer casas de pau-a-pique.
Depois de ter voltado para a cidade eu pensei em pegar um barco daqueles que atravessam o rio Amazonas e que, vez por outra acabam virando e matando muita gente. Até fui ao porto de Santana, perguntei sobre os itinerários e estive tentado a entrar num barco que ia para Breves, no Pará. Só que eu fiquei com medo de chegar lá e não ter onde ficar. Achei melhor não arriscar, afinal, minha cota de bicho grilo já estava esgotada. Ficará para uma próxima.
E a próxima já tem data para acontecer. Provavelmente irei até lá outra vez em outubro para finalizar as minhas coletas. Se der então eu faço o que faltou (menos comer o calango!)
Eu sei que fui muito muitíssimo bem tratado. Um monte de gente que nem me conhecia se propôs a me ajudar. Só tenho a agradecer ao Dr. Marcos Tavares Dias que me recebeu em sua casa, ao Sr. Sabá, motorista da EMBRAPA que me levou a São Benedito do Pacuí, Sr. Peixe Boi e família, que me recebeu super bem na sua casa e que me apresentou aos outros pescadores para que juntos fossemos pescar as arraias.
Resumidamente, gostaria de dizer que foi uma experiência ótima e gratificante. Uma pena que acabou, mas o trabalho precisa continuar por aqui.


Em sentido horário a partir do alto: passando pelo igarapé, a casa onde ficamos no rio Piririm, rio Amazonas em Macapá e pesando uma arraia para o experimento.

ORNITORRICOS E PEIXES ESPÁTULAS

Por causa da falta de tempo as vezes e de preguiça eu estou lendo o livro "A grande história da evolução" de Richard Dawkins meio que a conta gotas. Numa certa passagem do livro ele relata uma conversa entre dois evolucionistas que discutiam sobre a forma dos bicos dos ornitorrincos e dos peixes-espátulas (rostro do tubarão martelo também) e sobre sua convergências adaptativas até que um perguntou ao outro por que eram assim. A resposta que veio foi a seguinte: "Um animal é como é porque precisa ser".
Não sei quanto a vocês, mas eu achei isso fantástico. As vezes queremos uma resposta mirabolante e na verdade é tudo muito simples. Necessidade. Penso que para as pessoas isso também serve. Somos como somos porque precisamos ser. Ou achamos que precisamos, o que tecnicamente dá na mesma... Acho que quem me conhece entende o que eu quero dizer.

O METRO

Para terminar, uma coisa que é muito simples, mas que a maioria não sabe. O metro (m) é definido por o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo, durante um intervalo de tempo de 1/299 792 458 de segundo.
Uau!!!!

Bom... É isso aí!

Mais uma coisa... Como é bom sentir-se livre...
Hahahahahahahahaha!!!!